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Archive for October, 2011

AppMATe, carrinho real em pista virtual

by on Oct.27, 2011, under cultura, ipad, jogos

Falar sobre o potencial do iPad é chover no molhado, mas algumas empresas começam a mostrar aplicações diferentes para o aparelho. Uma das mais curiosas é o carrinho do filme Carros que usa a tela como cenário para diversas brincadeiras.

A mecânica é simples, basta colocar o carro sobre a tela e mover. Além de um passeio de maneira livre por Radiator Springs, a cidade dos filmes, cada carro faz algumas pequenas missões (busque um livro, ache 10 latas de óleo..). O interessante aqui é ver um cruzamento diferente para dois “brinquedos” e duas mecânicas ao mesmo tempo.

O iPad é caro e poucas pessoas olham para a prancheta como um brinquedo. Porém basta encontrar uma família que a situação muda. Além do YouTube, vi uma criança brasileira em um carrinho vendo Galinha Pintadinha no Centro de Boston, aplicativos como o Color Studio da Crayola colocam na tela os clássicos livros de colorir. A grande vantagem aqui é que a página sempre pode ser renovada. Esse mote também está nos livros digitais da Disney, que mixam a história com momentos de atividade. É a junção dos livros de atividade que as mães não compravam por ter um uso rápido com os livros de história.

Clássico, o carrinho de brinquedo nunca sai de moda. Sejam eles chineses, americanos ou nacionais, fazem parte de muitas infâncias. E o divertido do carrinho é que um simples artefato faz a criança transformar o espaço ao redor com a sua imaginação ou com outros objetos. Uma mesa plana pode ser uma pista de corrida complexa, enquanto uma folha pode receber as tortas linhas da rua de uma cidade.

A malandragem do appMate é ver esses dois mundos juntos em um ambiente que junta jogo (objetivos) com a brincadeira livre. Um olhar da indústria dos jogos chamaria isso de sandbox com ênfase na brincadeira, usando o virtual para gerar um espaço de atividades – constantemente atualizadas e sem as limitações que um desenho oferece.

O segredo é simples, o carrinho conta com 3 indicadores de posição (pontos de pressão), como se atuassem como 3 dedos na tela indicando a orientação do objeto para guiar o que é feito na tela. Ao contrário do pensamento inicial, não há nada de grandioso no “hardware”. São 3 pontos porque com isso é possível indicar com um simples movimento a indicação da direção – um ponto ou dois seriam pouco. A outra diferença para uma “baratinha” comum é uma parte transparente na base que vai até o teto e o farol. Assim, o aplicativo projeta alguns quadrados com cores chapadas que são refletidas pelo brinquedo e realçam os faróis.

Bastam alguns segundos brincando até mesmo para conquistar um adulto e ouvir a frase “no meu tempo não tinha essas coisas”. Por trás desta brincadeira, uma marota indústria opera. São seis carros do filme Carros 2, que será lançado em blu-ray e DVD no começo de novembro. Cada carro tem o seu conjunto de brincadeiras e missões, mas com um só já é possível brincar – porém tudo ficará restrito ao personagem. Isto parece simples, mas é o mote para vender não apenas um brinquedo, mas seis. O preço inicial de US$ 20 dólares pode saltar para US$120 caso o filhote queira toda a brincadeira – iPad2 não incluso na soma.

Essa é a mesma tática usada pelo jogo Skylanders: Spyro’s Adventure. Disponível para quase todas as atuais plataformas (menos PSP, Droid e iOS), a nova aventura do dragão Spyro funciona com uma pequena arena para a colocação de brinquedos durante o jogo. Cada personagem tem um código e a sua colocação na base provoca algo no jogo. Os criadores argumentam que uma das motivações para essa relação action figure x jogo é a criança poder levar o seu personagem para a casa de um amigo e resgatar de lá o seu jogo (isso com um código online), evitando que a brincadeira naufrague na necessidade de jogar tudo outra vez. Quem já levou um Guitar Hero para a casa de um amigo que ainda não jogou todas as músicas sabe quanto querer tocar algo e ter de jogar tudo outra vez para liberar uma simples música pode ser frustrante.

Desta forma, colecionar os personagens, tesouros e fases permite ao jogador explorar o jogo de maneira diferente. Há um jogo padrão que pode ser finalizado com o kit inicial, mas a aventura toda só é liberada com outros brinquedos. Assim, o que começa com US$ 60 pode pular para mais de US$ 200, em um cálculo rápido feito pelo pessoal da Giant Bomb. Dessa forma, não apenas o jogo é vendido – a base força a compra do título e evita a pirataria – e cada dragãozito custa mais do que um simples DLC. Ou seja, indústria do jogo e do brinquedo ganham juntas em tempos difíceis, mesma estratégia do Carros.

A brincadeira do Carros funciona com todos os iPads (apesar de queixas na performance do 1) e é vendida principalmente nos grandes magazines, Amazon e lojas de brinquedos.

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Impressões da New York Comic Con 2011

by on Oct.17, 2011, under Americana, cinema, cultura, quadrinhos

A New York Comic Con é a segunda maior Comic Con aqui dos EUA – e depois dela eu tenho medo de como é a maior (San Diego). Fui em apenas um dia e foi muito pouco para aproveitar bem o que acontecia no Javits Center – e mesmo assim o saldo foi bem positivo. No meio de tudo, um rápido encontro de negócios, ritmo de NY. Assim como a feira, o post é longo.

A time and a place

O Javits Center é um dos principais espaços de convenções da cidade e fica praticamente no rio. Apesar disso, é fácil de chegar e algumas quadras antes o movimento já era forte às 11h da manhã do sábado, 3o dia da Comic Con. Ryu, Ken, Scorpion e outros andavam do nosso lado e esse era o espírito do evento.

Como eu não conhecia o ritmo de feiras aqui, paguei um preço caro: vi mais da feira e pouco dos painéis. E o sistema é prático, feira/demonstrações/exposição em algumas áreas e grandes painéis em outras. Mesmo com a atenção normal em San Diego, a Marvel apresentou outra vez o filme dos Vingadores com o Capitão América, Hulk e Loki ao vivo (o ator do Loki passou do meu lado e nem eu percebi que era ele), a DC jogou as fichas na New 52 e previews da série Walking Dead ajudaram a contaminar todo mundo com o clima de zumbis. E zumbis vendem muito.

O tamanho do lugar impressiona muito, são quase uns 10 prédios 41 da PUCRS juntos. Quando fomos procurar o pavilhão com o Red Tails, por exemplo, descobrimos uma ala toda. No final da tarde chegamos 30 minutos antes do painel dos Vingadores e a sala não só já estava lotada bem como já tinham começado a falar. No fundo, a nerdolândia funciona na base das filas – fila pra comer, fila pra jogar e ganhar uma camiseta, fila pra ver os atores. Não vi o público desse ano, mas em 2010 foram 96 mil pessoas em quatro dias.

“Olha a Moranguinho ali no caixa”

Tem uma força muito forte em eventos como esse. Seria como se a ideia de tribos do Maffesoli encontrasse o que o Neil Peart fala em Subdivisions. A pessoa vem para olhar e outros estão lá para ganhar um pouco de atenção nas suas vidas. Vi um casal de meninas com fantasia de Supergirl e Robin que claramente indicava isso. Essa dose anual de identidade é interessante e aqui, em função do evento ser legal e da força do negócio estar  no máximo, há um respeito forte. E depois que a Nana Gouvêa foi, o resto é troco.

Em virtude dos concursos de fantasia, o nível fica claro entre alguns que só fazem alguma coisa e outros que vestem o personagem mesmo. Tem pessoas que passam horas fazendo o personagem – como os Caça-Fantasmas que tinham os equipamentos todos e funcionando ou uma Peach tão com cara de boneca quanto a do jogo – e outros que apelam pra diferença – como a versão Bag-Man do Homem-Aranha.

Tudo isso rende momentos engraçados. Não só tinha a Moranguinho no caixa (sempre pensei que ela vivesse num mundo de frutas), mas também o Comandante Cobra tirando fotos. Além disso, muitas famílias iam todas caracterizadas. E nesse ponto nada supera uma fã de Star Wars com o filhote vestido de Ewok.

E Luke Skywalker virou o Coringa

Fui para o painel da Next-Gen ver Mark Hamill e o Jeff Gomez. Enquanto o primeiro valeu ver, o segundo decepcionou. Ambos estão envolvidos no Next-Gen, um novo universo pensado para os quadrinhos, depois animated series e que vai ser filme mesmo. Mesmo com toda a rasgação, faltaram declarar mais o conceito mesmo e alguns desenhos parecem coisa vinda das escolas de desenho. Sinceramente, torço pelo sucesso do filme, porque os quadrinhos poderiam ser melhores.

O Mark Hamill tomou conta da conversa e, felizmente, ele falou mais do trabalho como dublador dele do que a vida de Luke Skywalker. Ele relatou que tem um trabalho todo pra fazer as vozes e que fica feliz por isso, até porque ele dá vida para personagens bacanas. Além de imitar o Joker (ele é a voz na Batman: Animated Series e nos dois jogos Batman: Arkham), ao comentar o trabalho do Dan Castellaneta imitou Homer Simpson e o prefeito Quimby na hora. E ficou igual.

Se alguns metros adiante o Peter Mayhew cobrava apenas US$ 10 pela foto com o Chewbacca, é compreensível ver porque Skywalker/Joker/Trickster cobra US$ 75.

$$$

Além do comércio intenso – camisetas, cartazes autografados, action figures e até quadrinhos – há um comércio forte da lembrança. Não apenas uma foto dentro do DeLorean do Back to the Future, mas uma arte feita na hora ou a marca do artista na frente da revista preferida.

Alguns artistas cobram por isso e, num primeiro momento, é estranho. Mas não deixa de ter razão, afinal o que ele assinou para uma pessoa pode ser vendido para outra e ele não vai ganhar dinheiro por isso, só a outra pessoa. Dessa forma o intermediário pode até ganhar, mas fica um troco pro artista mesmo. E essa cultura é bem mais velha que o eBay, vale lembrar.

Confesso que quase deixei US$ 45 em um pôster do 2001 com autógrafo do Gary Lockewood (Dr Frank Poole), mas não teria como transportar.

“É Action Figure, não bonequinho”

Esse mercado é muito forte aqui e no Brasil mesmo tem o seu espaço, mas deu pra ver ao vivo o que só vi em fotos: as empresas apresentam as linhas novas de produtos aqui, o povo tira fotos, sai notícia e meses depois chega nas lojas. Assim como algumas camisetas, existem modelos exclusivos e que certamente terão um valor maior no futuro.

Além dos modelos da Nova DC (o Aquaman era muito bem feito), do jogo Batman: Arkham City (pra 2012) e do Star Wars, um resgate da Hasbro chamou a minha atenção. Talvez poucos lembram da Jem e as Hologramas, um desenho com visual Barbie hard rocker que tinha uma trilha sonora bacana. Depois do lançamento da caixa em DVD, estão vendo se não seria a vez de um filme, como feito pra GI Joe e Transformers.

Engraçado que em um lado da feira a aposta era na nostalgia, com as franquias clássicas, enquanto no outro um campeonato de Beyblade chamava a atração da molecada. Algumas coisas mudam, outras não, mas o DNA é o mesmo.

Red Tails

Uma das coisas que teve seu hype mas foi atropelada pelos grandes lançamentos – e já digo o porquê disso ser bom – foi o Red Tails, novo filme do George Lucas. Aviso, ele só produz, não dirige – um belo sinal.

Esse filme talvez seja uma das últimas grandes produções do Darth Vader da vida real e junta duas coisas que já funcionaram outras vezes, história com ação. Durante a 2a Guerra Mundial, a esquadrilha Tuskegee (grupo americano de pilotos negros) fez história nos céus. Em virtude das leis de recrutamento da época e do racismo, o serviço de um dos primeiros grupos de pilotos afro-americanos é pouco reconhecido. Tem cara de ser um pouco no estilo do Tempo de Glória, filme de 89 sobre o primeiro batalhão negro do exército americano que lutou na Guerra Civil.

A promoção na Comic Con contou com um painel – que teve a presença de atores e um piloto de verdade. A promoção maior ficou por conta de um pôster especial feito pelo Joe Kubert e um caminhão com um simulador de vôo para preparar o terreno das batalhas aéreas. Nem no cartaz nem na maioria das peças estava o nome do George Lucas, um bom sinal depois de muitas desventuras, e o trailer já indica que a ILM vai com tudo nos efeitos também. A expectativa fica maior por conta da direção. O Anthony Hemingway tem no currículo passagens por vários seriados, mas tem um pé no The Wire e outro no Treme, credenciais excelentes. Dedos cruzados até 12 de janeiro.

Um dia foi pouco, mas a densidade de informação foi muito grande. Chegamos às 11h e às 18h eu já não tinha mais condições de pensar direito. Moral da história, da próxima vez eu passo dois dias lá.

Falei pouco de quadrinhos, mas isso é reflexo da feira mesmo. Os comics são a base para muitas outras coisas e uma bela motivo para reunir a indústria do entretenimento mesmo.

Em virtude da extensão do post, mais tarde escrevo sobre os videogames lá, falando dos previews do Batman: Arkham City, Uncharted 3 e Max Payne 3 (10 min de jogo mesmo).

Pena que era leilão, mas comprar o terno do Tony Stark era tentador

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