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Americana

Impressões da New York Comic Con 2011

by on Oct.17, 2011, under Americana, cinema, cultura, quadrinhos

A New York Comic Con é a segunda maior Comic Con aqui dos EUA – e depois dela eu tenho medo de como é a maior (San Diego). Fui em apenas um dia e foi muito pouco para aproveitar bem o que acontecia no Javits Center – e mesmo assim o saldo foi bem positivo. No meio de tudo, um rápido encontro de negócios, ritmo de NY. Assim como a feira, o post é longo.

A time and a place

O Javits Center é um dos principais espaços de convenções da cidade e fica praticamente no rio. Apesar disso, é fácil de chegar e algumas quadras antes o movimento já era forte às 11h da manhã do sábado, 3o dia da Comic Con. Ryu, Ken, Scorpion e outros andavam do nosso lado e esse era o espírito do evento.

Como eu não conhecia o ritmo de feiras aqui, paguei um preço caro: vi mais da feira e pouco dos painéis. E o sistema é prático, feira/demonstrações/exposição em algumas áreas e grandes painéis em outras. Mesmo com a atenção normal em San Diego, a Marvel apresentou outra vez o filme dos Vingadores com o Capitão América, Hulk e Loki ao vivo (o ator do Loki passou do meu lado e nem eu percebi que era ele), a DC jogou as fichas na New 52 e previews da série Walking Dead ajudaram a contaminar todo mundo com o clima de zumbis. E zumbis vendem muito.

O tamanho do lugar impressiona muito, são quase uns 10 prédios 41 da PUCRS juntos. Quando fomos procurar o pavilhão com o Red Tails, por exemplo, descobrimos uma ala toda. No final da tarde chegamos 30 minutos antes do painel dos Vingadores e a sala não só já estava lotada bem como já tinham começado a falar. No fundo, a nerdolândia funciona na base das filas – fila pra comer, fila pra jogar e ganhar uma camiseta, fila pra ver os atores. Não vi o público desse ano, mas em 2010 foram 96 mil pessoas em quatro dias.

“Olha a Moranguinho ali no caixa”

Tem uma força muito forte em eventos como esse. Seria como se a ideia de tribos do Maffesoli encontrasse o que o Neil Peart fala em Subdivisions. A pessoa vem para olhar e outros estão lá para ganhar um pouco de atenção nas suas vidas. Vi um casal de meninas com fantasia de Supergirl e Robin que claramente indicava isso. Essa dose anual de identidade é interessante e aqui, em função do evento ser legal e da força do negócio estar  no máximo, há um respeito forte. E depois que a Nana Gouvêa foi, o resto é troco.

Em virtude dos concursos de fantasia, o nível fica claro entre alguns que só fazem alguma coisa e outros que vestem o personagem mesmo. Tem pessoas que passam horas fazendo o personagem – como os Caça-Fantasmas que tinham os equipamentos todos e funcionando ou uma Peach tão com cara de boneca quanto a do jogo – e outros que apelam pra diferença – como a versão Bag-Man do Homem-Aranha.

Tudo isso rende momentos engraçados. Não só tinha a Moranguinho no caixa (sempre pensei que ela vivesse num mundo de frutas), mas também o Comandante Cobra tirando fotos. Além disso, muitas famílias iam todas caracterizadas. E nesse ponto nada supera uma fã de Star Wars com o filhote vestido de Ewok.

E Luke Skywalker virou o Coringa

Fui para o painel da Next-Gen ver Mark Hamill e o Jeff Gomez. Enquanto o primeiro valeu ver, o segundo decepcionou. Ambos estão envolvidos no Next-Gen, um novo universo pensado para os quadrinhos, depois animated series e que vai ser filme mesmo. Mesmo com toda a rasgação, faltaram declarar mais o conceito mesmo e alguns desenhos parecem coisa vinda das escolas de desenho. Sinceramente, torço pelo sucesso do filme, porque os quadrinhos poderiam ser melhores.

O Mark Hamill tomou conta da conversa e, felizmente, ele falou mais do trabalho como dublador dele do que a vida de Luke Skywalker. Ele relatou que tem um trabalho todo pra fazer as vozes e que fica feliz por isso, até porque ele dá vida para personagens bacanas. Além de imitar o Joker (ele é a voz na Batman: Animated Series e nos dois jogos Batman: Arkham), ao comentar o trabalho do Dan Castellaneta imitou Homer Simpson e o prefeito Quimby na hora. E ficou igual.

Se alguns metros adiante o Peter Mayhew cobrava apenas US$ 10 pela foto com o Chewbacca, é compreensível ver porque Skywalker/Joker/Trickster cobra US$ 75.

$$$

Além do comércio intenso – camisetas, cartazes autografados, action figures e até quadrinhos – há um comércio forte da lembrança. Não apenas uma foto dentro do DeLorean do Back to the Future, mas uma arte feita na hora ou a marca do artista na frente da revista preferida.

Alguns artistas cobram por isso e, num primeiro momento, é estranho. Mas não deixa de ter razão, afinal o que ele assinou para uma pessoa pode ser vendido para outra e ele não vai ganhar dinheiro por isso, só a outra pessoa. Dessa forma o intermediário pode até ganhar, mas fica um troco pro artista mesmo. E essa cultura é bem mais velha que o eBay, vale lembrar.

Confesso que quase deixei US$ 45 em um pôster do 2001 com autógrafo do Gary Lockewood (Dr Frank Poole), mas não teria como transportar.

“É Action Figure, não bonequinho”

Esse mercado é muito forte aqui e no Brasil mesmo tem o seu espaço, mas deu pra ver ao vivo o que só vi em fotos: as empresas apresentam as linhas novas de produtos aqui, o povo tira fotos, sai notícia e meses depois chega nas lojas. Assim como algumas camisetas, existem modelos exclusivos e que certamente terão um valor maior no futuro.

Além dos modelos da Nova DC (o Aquaman era muito bem feito), do jogo Batman: Arkham City (pra 2012) e do Star Wars, um resgate da Hasbro chamou a minha atenção. Talvez poucos lembram da Jem e as Hologramas, um desenho com visual Barbie hard rocker que tinha uma trilha sonora bacana. Depois do lançamento da caixa em DVD, estão vendo se não seria a vez de um filme, como feito pra GI Joe e Transformers.

Engraçado que em um lado da feira a aposta era na nostalgia, com as franquias clássicas, enquanto no outro um campeonato de Beyblade chamava a atração da molecada. Algumas coisas mudam, outras não, mas o DNA é o mesmo.

Red Tails

Uma das coisas que teve seu hype mas foi atropelada pelos grandes lançamentos – e já digo o porquê disso ser bom – foi o Red Tails, novo filme do George Lucas. Aviso, ele só produz, não dirige – um belo sinal.

Esse filme talvez seja uma das últimas grandes produções do Darth Vader da vida real e junta duas coisas que já funcionaram outras vezes, história com ação. Durante a 2a Guerra Mundial, a esquadrilha Tuskegee (grupo americano de pilotos negros) fez história nos céus. Em virtude das leis de recrutamento da época e do racismo, o serviço de um dos primeiros grupos de pilotos afro-americanos é pouco reconhecido. Tem cara de ser um pouco no estilo do Tempo de Glória, filme de 89 sobre o primeiro batalhão negro do exército americano que lutou na Guerra Civil.

A promoção na Comic Con contou com um painel – que teve a presença de atores e um piloto de verdade. A promoção maior ficou por conta de um pôster especial feito pelo Joe Kubert e um caminhão com um simulador de vôo para preparar o terreno das batalhas aéreas. Nem no cartaz nem na maioria das peças estava o nome do George Lucas, um bom sinal depois de muitas desventuras, e o trailer já indica que a ILM vai com tudo nos efeitos também. A expectativa fica maior por conta da direção. O Anthony Hemingway tem no currículo passagens por vários seriados, mas tem um pé no The Wire e outro no Treme, credenciais excelentes. Dedos cruzados até 12 de janeiro.

Um dia foi pouco, mas a densidade de informação foi muito grande. Chegamos às 11h e às 18h eu já não tinha mais condições de pensar direito. Moral da história, da próxima vez eu passo dois dias lá.

Falei pouco de quadrinhos, mas isso é reflexo da feira mesmo. Os comics são a base para muitas outras coisas e uma bela motivo para reunir a indústria do entretenimento mesmo.

Em virtude da extensão do post, mais tarde escrevo sobre os videogames lá, falando dos previews do Batman: Arkham City, Uncharted 3 e Max Payne 3 (10 min de jogo mesmo).

Pena que era leilão, mas comprar o terno do Tony Stark era tentador

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Era uma vez uma livraria chamada Borders

by on Sep.20, 2011, under Americana, ipad

Essa cena já foi vista pelos brasileiros, mas por outros motivos e não de uma forma tão agressiva. Com 40 anos de vida, nesse setembro a cadeia de livrarias norte-americanas Borders fecha as portas. A falência resulta das baixas vendas, consequência forte da venda pela Internet de livros digitais e serviços de entrega em casa.

Um primeiro olhar pode por toda a culpa no tal “ebook”, mas não é bem assim. Vale lembrar que aqui nos EUA existe um hábito de sistemas como o nosso finado Círculo do Livro bem antes desse trem chamado Internet. Quem comprava quadrinhos vai lembrar, por preços muito baratos e com uma compra regular, algumas filipetas ofereciam livros caros por US$5.

O cenário mexeu com a entrada das livrarias online, que deixam o pedido na porta de casa e muitas vezes com imposto diferenciado. Vale lembrar que aqui nos EUA o imposto é por estado, então muitas vezes o preço mais baixo de um item pode também resultar disso. Junte ao molho políticas de free shipping por uma taxa básica anual, como a Amazon faz, sistemas de recomendação de títulos inteligentes e uma entrega que funciona, mesmo com o serviço postal do governo falindo. É normal passar na frente de uma casa aqui e ver pacotes de entrega – o carteiro passou, ninguém atendeu e os pacotes ficam ali, sossegados, sem ninguém mexer. No nosso condomínio, por exemplo, um par de caixas ficou na porta desde ontem até hoje de manhã – e ninguém mexeu.

O processo acelerou com a entrada dos e-readers, tablets e afins, além do Kindle e GoogleBooks também operarem como software. É normal ver por aqui aparelhos como esses em situações comuns, como metrô ou ônibus, carregando uma biblioteca na mão.

Além da compra instantânea, dois fatores jogam forte pelo time do Nook, Kindle e iPad: o menor uso de papel e, muitas vezes esquecido, a economia de espaço. Ainda vivemos no Brasil em lugares relativamente espaçosos, mas uma visita a um prédio novo ou construído nos últimos tempos indica que estamos indo por este caminho. Quanto mais informação for possível ter com menos armazenamento físico, melhor sera o cenário. Basta recordar que alguns prédios nem lavanderia mais oferecem. Não duvido que mais adiante algum arquiteto desenhe móveis com espaço para HDs externos ou bases WiFi.

Crônica de uma morte anunciada? Para alguns sim, mas não foi fácil manter a situação, ainda mais quando a principal concorrente, Barnes and Noble, oferece espaços maiores, presença em campi universitários como livraria acadêmica, aluguel de livros e um e-Reader que tem o seu charme e atenção, o Nook.

Sem falar no sistema de livros usados, que a Amazon triangula muito bem (o que a Estante Virtual faz no Brasil) e pega. Com a variedade de pessoas que lê livros e passa adiante ou busca alternativas mais baratas, acentuado por uma economia em crise, comprar um livro novo já não é mais tão tranquilo.

De um jeito ou de outro, é uma situação de crise econômica + revolução digital que dá um outro sabor amargo para uma cena já vista em outras épocas, como o fim da saudosa Sulina perto das escadarias da Borges de Medeiros ou a transformação da ponderosa Livraria do Globo em uma loja de calçados. E essa transformação não acabou, recém começou.

Sobre o fechamento da Borders, vale ler esta matéria de abril feita pela amiga Larissa Roso para o Washington Post e esta do Wall Street Journal comentando a decisão de “desligar os aparelhos do doente” neste mês.

As fotos são da Borders do Cambridgeside Galleria, em Cambridge, MA, em 13 de setembro, e essa última no centro de Boston nesta terça.

PS)Se ninguém fizer isso, ainda bolo/faço um móvel p. por HDs externos e bases WiFi em cima das portas das casas. Lugar pouco usado e que daria pra explorar.

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